Como empresas de TI estão olhando para a educação no setor?

Em painel no IT Forum Expo, CEOs da indústria compartilharam suas ações para garantir capacitação e formação do ecossistema

O Brasil pode chegar em 2020 com déficit de até 408 mil profissionais de TI, segundo dados da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex). A única forma de fechar esse gargalo é incentivar a inserção de talentos na área e apostar em educação contínua. A indústria tem feito sua parte, inclusive estabelecendo parcerias com a academia e o governo para promover capacitação e especialização para o pessoal de TI.

Em painel no IT Forum Expo, realizado nos dias 8 e 9 de novembro, em São Paulo, os CEOs da indústria de TI concordaram que o tema é fundamental e pontuaram suas iniciativas na área. A presidente da SAP Brasil, Cristina Palmaka, ressaltou que a fabricante olha para educação sob vários ângulos. Um deles, destacou, é a preparação da mão de obra para o mercado, integrando parceiros e ecossistema.

“O Young Professional é voltado para recém-formados desempregados. Começamos com o tema cloud e estamos partindo agora para big data e analytics. Na primeira fase, 50 pessoas se formaram e saíram empregadas”, ressaltou. Internamente, ela apontou que vários temas são endereçados, como tecnologias emergentes como blockchain, por meio de capacitação. Ela lembrou ainda a parceria com o Instituto IT Mídia, da IT Mídia, que concede bolsas de estudos.

Claudio Raupp, presidente da HP Inc no Brasil, relatou que a companhia trabalha forte com capacitação interna, por meio de uma plataforma de treinamento, que é um mix do formato on-line e presencial. Com um modelo de negócios voltado para canais, a fabricante atua forte para levar especialização para seu ecossistema.

O presidente da Dell EMC Brasil, Luis Gonçalves, lembrou que o déficit de talentos já assombra o setor há alguns anos e a companhia tem feito um trabalho sólido há alguns anos para minimizar o quadro. A fabricante tem parceria, por exemplo, com a PUC do Rio Grande do Sul para formação de talentos. “Temos de fomentar o tema como indústria e ajudar aqueles que vão desenvolver negócios baseados em tecnologia voltada para tecnologia, que será transversal”, destacou o executivo.

Na Citrix, o tema tem sido amplamente discutido. A empresa tem apostado em jovens talentos, estagiários ou recém-saídos da universidade, e isso tem mexido com os processos tradicionais da empresa. “Participei recentemente de uma dinâmica de estagiários e fui entrevistado por alguns deles. Eles queriam saber onde eles iriam trabalhar e ficaram satisfeitos que podem usar tecnologia trabalhar em qualquer lugar, dispositivo ou ambiente”, sintetizou Luis Banhara, presidente da Citrix, reforçando o fato de a tecnologia ser pervasiva.

Marcelo Porto, presidente da IBM Brasil, lembrou que o perfil do profissional será radicalmente diferente daqui para frente e, diante desse quadro, as companhias terão um desafio ainda maior. “Essa questão é ainda mais desafiadora do que revolução industrial depois do vapor”, comparou, citando reportagem recente com o MIT sobre o tema.

Segundo ele, não há como olhar para esse quadro sem sair da empresa e olhar para fora. “Nós miramos universidades e contratamos profissionais que estão saindo da academia. Também estamos muito próximos de startups para olhar para o mercado de forma holística.”

Assim como a Dell EMC, a HPE também mantém parceria com a PUC do Rio Grande do Sul para fomentar a especialização logo no início da carreira. “Temos de buscar fora, romper com fronteiras, buscar gente jovem, com ideias diruptivas”, declarou Luciano Corsini, presidente da HPE Brasil, completando que a empresa também tem apostado na formação de mulheres em TI.

Falando sobre ideias, Paula Bellizia, presidente da Microsoft Brasil, destacou que a Microsoft está muito próxima de startups, entregando mais valor para os clientes a partir da inovação. “Existe grande valor para as empresas se aproximarem dos negócios nascentes”, constatou.

Para Fabio Costa, presidente da VMWare no Brasil, a deficiência de formação começa com a falta de interesse pelo curso de tecnologia. Citando dados do Censo, ele contou que Direito é o curso mais procurado e TI não aparece nem mesmo entre os dez primeiros lugares. “Outro tema é a formação profissional, dentro de casa. Nosso profissional está sempre buscando atualizar-se”, garantiu.

A transformação digital tem demandado novo tipo de profissional e, consequentemente, educação, assinalou José Formoso, presidente da Embratel. “Essa nova temporada exige novo profissional e até mesmo postura de nós como empresa. A educação para o mundo digital tende a ser mais rápida”, disse.

O presidente do UOLDiveo, Gil Torquato, alertou para o fato de que o Brasil, que antes costumava a ter um delay no uso tecnológico, agora já não está mais para trás. “Agora, de fato, o desafio é a mão de obra.”

Na Oracle, vários programas permeiam a estratégia da empresa no Brasil. O desafio, no entanto, é buscar pessoas que estejam felizes com seus trabalhos para desenvolver clientes encantados. “Contratamos pessoas ‘felizes’, buscamos os melhores talentos para atingir o objetivo de melhor atender ao cliente”, finalizou Luiz Meisler, vice-presidente executivo da Oracle América Latina e presidente Brasil, que contou que a Oracle contratou mais de 2 mil pessoas nos últimos anos.