“Mudar” deve ser principal objetivo dos CIOs nos próximos anos

Consultorias alertam que líderes de TI precisam se adaptar à nova realidade do mercado

O mundo está cada vez mais rápido e conectado e empresas estão tentando correr atrás das mudanças para alcançar novos patamares. Esse é o principal desafio para os CIOs, de acordo com os seis consultores convidados para o Painel Tendência, que abriu o segundo do dia do IT Forum Expo, que acontece nos dias 8 e 9 de novembro, em São Paulo.

Para Carlos Rivelli, líder de Consultoria Empresarial da Deloitte, é necessário que os executivos entendam que a mudança é mais estratégica do que tecnológica, apesar de a tecnologia permitir novos modelos de negócios. “O principal desafio do CIO tem sido entender esses novos modelos de negócios mais do que buscar soluções tecnológicas”, afirma ele. Essa também é a opinião de Elisabete Waller, sócia da EY, que diz ser necessário transmitir todo o conhecimento para diversas áreas do negócio, não somente na de TI.

O CIO deve estar integrado com todas as áreas da empresa e ter claro qual o objetivo a ser atingido. Esse é o ponto de vista de Sergio Alexandre Simões, sócio de digital da PwC. Segundo ele, o executivo deve deixar de lado algumas amarras, hábitos do passado e estabelecer uma mudança de comportamento. Rodolfo Eschenbach, líder da Accenture Digital para América Latina, concorda afirmando que o CIO deve deixar de ser o controlador para ser um conector. “O papel do CIO, para mim, é de democratizador de dados”, diz.

Eschenbach cita como exemplo trabalho realizado em parceria com uma startup. “Pedir para uma nova empresa fazer 50 reuniões pode matá-la. Assim como pedir os três últimos balanços provavelmente não adiantará, já que a startup provavelmente não tem esses dados”, alerta. Essa situação demonstra como todos os setores de uma companhia (inclusive financeiro e jurídico) devem estar alinhados para que a mudança ocorra em diversos níveis.

Contudo, não são apenas as empresas que têm de se reinventar, mas todo o mercado. Para os consultores, os fornecedores também não estão totalmente preparados para entregar um novo modelo de negócios para as companhias que querem se reestruturar. “Acredito que o mercado, da mesma forma que os CIOs ainda estão olhando tudo que está acontecendo, ainda reage a como ajudar os CIOs”, explica Renata Serra, sênior expert da McKinsey.

Exatamente por isso, o mundo está se tornando multidisciplinar. As próprias consultorias precisam olhar para profissionais que não trabalhavam em parceria antigamente, como designers. “Um projeto, hoje, ganha uma dimensão que é multidisciplinar em sua essência”, declara Frank Meylan, sócio da KPMG.

De acordo com ele, a transformação é global e passa por empresas, consultorias e provedores. E para que ela aconteça, é preciso ter um gestor de TI com cabeça mais aberta para as mudanças. Elisabete consente, explicando que é preciso entender quais as reais necessidades de cada companhia. “A estratégia da empresa precisa estar alinhada com toda a mudança digital que é necessária fazer, porque o que é necessário para uma empresa não é necessária para outra. Fazendo as perguntas corretas, conseguimos as melhores respostas”, finaliza.